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Não são só marcas que necessitam de uma identidade visual bem definida - livros também!

  • Foto do escritor: eture design
    eture design
  • 29 de set.
  • 5 min de leitura

A definição de uma identidade visual é importante para qualquer publicação e o livro “O menino de metal” é um exemplo disso



Na área do design, ouvimos muito falar em identidade visual de marcas, mas esquecemos que identidade visual é um termo muito mais amplo. 


Afinal, se vamos buscar a palavra identidade no dicionário, uma das definições principais é a seguinte:


identidade s.f.

Série de características próprias de uma pessoa ou coisa por meio das quais podemos distingui-las.


Podemos, então, dizer que a identidade visual nada mais é senão o conjunto das características visuais que fazem com que esse algo ou alguém seja distintivo, reconhecível, único.


Isso é válido também para publicações. Livros, jornais e revistas devem seguir um projeto gráfico, que nada mais é que o conjunto de decisões que definem a identidade visual de uma publicação.


Mas o que compõe a identidade visual de um livro?


É isso que vamos explorar a seguir.



Identidade visual de livros


São muitas as características que, combinadas, formam a identidade visual de um livro. 


Para mostrar como funciona a identidade em um livro, decidimos utilizar como exemplo uma obra autoral da Eture Design. Escolhemos uma obra que, mesmo tendo um projeto gráfico bastante diferenciado, segue uma identidade visual bem definida. 



Com o texto de Lara Rösler e projeto gráfico de Bia Azolin, O menino de metal é um livro de fantasia voltado para jovens adultos.


A história se desenrola em uma realidade diferente da nossa – um mundo mais antigo, povoado por pessoas e máquinas de latão. É uma história sobre um menino de metal e seu criador, sobre dor e perda e solidão e rancor, mas também sobre liberdade.


Três contos se passam nesse universo, mostrando uma realidade vista de diferentes maneiras, por diferentes personagens – ou, ainda, mostrando as diversas realidades que residem em cada um.



Para o projeto gráfico de O menino de metal, resolvemos impor uma restrição importante – não utilizar ilustrações. Queríamos um livro diferente, com uma personalidade forte, mas que deixasse a imaginação do leitor livre para criar. Resolvemos, então, trabalhar com tipografia experimental.


Nesse livro, tivemos a liberdade total de experimentar com a tipografia para traduzir a história visualmente – sem o uso de ilustrações. Os parágrafos, as palavras e até as letras foram trabalhados de modo a inserir um ritmo na leitura.


O menino de metal é um livro com design único. Tipografia e elementos gráficos simples preenchem as suas 100 páginas de uma forma bastante diferenciada – nenhuma página é igual à outra.


Todos os grafismos foram pensados e trabalhados tendo em mente as páginas duplas – ou seja, a cada virada de página, uma nova composição única conta um pedaço da história.


Mas, mesmo não tendo uma página igual à outra, o livro possui uma identidade visual bem definida. Isso quer dizer que todas as páginas claramente parecem pertencer ao mesmo livro. Como isso é possível?


Bom… O livro apresenta diversas características marcantes que se repetem durante toda a publicação. Para deixar mais claro como esses atributos visuais criam a identidade do livro, trouxemos a seguir alguns exemplos das características que consideramos mais relevantes.




9 características da identidade visual do livro "O menino de metal"



1. Formato

Para começar, o livro tem um formato diferenciado – é um livro verticalizado. Esse não é um formato muito comum no mercado editorial, o que ajuda na diferenciação.

 

Muitas vezes, o formato é um fator que não é levado muito em consideração, optando-se por tamanhos dentro do padrão das gráficas. No entanto, ele pode influenciar imensamente na experiência de leitura. 


Além disso, o formato de um livro é como uma tela em branco de um pintor - por mais que o conteúdo seja o principal, invariavelmente o formato da tela vai influenciar na composição da obra de arte retratada. 


Assim, pode-se dizer que o formato mais verticalizado do livro O menino de metal influenciou as escolhas do projeto gráfico que definiram a identidade visual do livro.



Imagem com 4 exemplares do livro "O menono de metal", sendo 3 delas mostrando a capa e a outra mostra como o livro fica aberto, na página do sumário.



2. Tipografia

Exploramos a tipografia experimental para criar uma obra diferente e única. 


Nossa inspiração para a forma de trabalhar a tipografia foi o designer gráfico Chip Kidd, cujo trabalho abriu nossos horizontes.


Em O menino de metal, experimentamos com a tipografia e com os diversos elementos do livro, criando um projeto gráfico bastante diferenciado. 


O texto foi trabalhado de várias maneiras para imprimir ritmo à narrativa, guiando a leitura. 

Para esse projeto, foram escolhidas duas famílias de fontes: uma serifada clássica e outra com serifa egípcia (slab serif), mais pesada. 


Essa combinação de fontes foi escolhida para comunicar melhor a atmosfera steampunk da história.


O contraste dessas fontes é utilizado como recurso para representar o ritmo de leitura, definindo uma hierarquia contextual.



Exemplos de páginas do livro "O menino de metal", evidenciando a tipografia.



3. Paleta cromática

O uso de cores foi essencial para o projeto gráfico do livro. Texto e elementos gráficos de apoio fazem uso da cor para diferenciar, para destacar e para criar hierarquia.


Como todos os contos giram em torno de um menino de latão, as cores escolhidas lembram esse metal: o verde do zinabre e os tons quentes de amarelos e marrons, representando o latão e as cores características do steampunk, referência principal de estilo da obra.



Três exemplares do livro "O menino de metal" mostram as cores utilizadas no projeto gráfico do livro.



4. Formas geométricas

Formas geométricas simples ajudam a setorizar o texto, servindo como elementos de composição, como caixas de texto ou como modo de destacar algum trecho mais importante.



3 exemplares do livro "O menino de metal" exemplificando a utilização de formas geométricas no projeto gráfico.



5. Espaços vazios

Outro elemento de composição bastante importante nesse livro é o vazio. Os espaços vazios foram utilizados para reforçar o significado do texto, para salientar partes importantes e para imprimir pausas na narrativa.



Exemplos de como os espaços vazios foram ulilizados no projeto gráfico do livro "O menino de metal".



6. Parágrafos e frases

O texto foi basicamente dividido em parágrafos ou frases, que foram, então, trabalhados isoladamente, como unidades de texto.


Cada bloco de texto tem um estilo que impõe um ritmo coerente ao conteúdo, através da tipografia, cores e posicionamento.



Exemplo de 3 páginas duplas do livro "O menino de metal" que exemplificam como o texto foi trabalhado.



7. Palavras e letras

Muitas vezes, palavras são trabalhadas individualmente para melhor representar o ritmo do texto. Em alguns casos, inclusive, as letras são trabalhadas uma a uma para representar graficamente o sentido das palavras em destaque.



Exemplos que mostram onde palavras ou letras foram trabalhadas individualmente para representar melhor o ritmo da narrativa no livro "O menino de metal".



8. Capítulos

Os números dos capítulos foram tratados como elementos gráficos decorativos.


No sumário, os números estão em destaque, abraçando os títulos. Já nas capas dos capítulos, os números fogem do espaço limitado das páginas, dando origem a formas geométricas simples.



Páginas internas do livro "O menino de metal" mostrando o sumário e capas de capítulos.



9. Capa

A capa foge à regra da ausência de ilustrações, mas não muito.


Sendo o primeiro contato que o leitor tem com um livro, achamos importante adicionar elementos figurativos que representam o conceito da narrativa.


Engrenagens aplicadas apenas em verniz localizado sutilmente fazem alusão à máquina, personagem que serve como elo de união entre os três contos.



Imagem mostrando a capa do livro "O menino de metal", com ênfase no detalhe das engrenagens.



A identidade visual de um livro nem sempre é percebida pelos leitores. Mas quando é percebida, é porque é impactante. 


Aqui na Eture Design, nos propomos a criar todo tipo de projeto editorial – desde projetos dentro de um padrão editorial específico, até livros com design único. Para conseguir trabalhar dentro dessa gama de opções, é importante que a criação de livros seja pautada na construção de identidades visuais claras. 


Com os exemplos de O menino de metal, buscamos mostrar que, mesmo com suas páginas sendo todas diferentes, o livro possui uma identidade visual forte. E é essa identidade visual que faz com que o projeto seja visualmente coerente, criando diferenciação sem causar desconforto ou estranheza ao público-alvo.


Afinal, como designers editoriais, nosso foco é, acima de tudo, criar uma experiência agradável para os leitores.



Gostou do conteúdo? 


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